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PT recorre ao Supremo contra ordens do TSE sobre canal político

PT aciona STF contra restrições ao canal Exército do Lula

Parlamentares petistas liderados pelo deputado federal Pedro Uczai protocolaram uma reclamação no Supremo Tribunal Federal nesta sexta-feira para contestar determinações do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Nunes Marques. O alvo da contestação são as restrições aplicadas à plataforma digital Exército do Lula, gerenciada pelo deputado André Janones.

Defesa da liberdade de expressão e temor de censura

Na petição apresentada à mais alta Corte do país, o grupo político requer uma medida liminar urgente com o objetivo de barrar qualquer bloqueio, suspensão ou limitação nas atividades do canal digital bem na reta final da disputa presidencial, cujo segundo turno ocorre no próximo domingo. A ofensiva jurídica responde a investidas iniciadas após demandas apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro, que disputa o cargo máximo do Executivo.

Os autores da iniciativa sustentam que as ordens da Justiça Eleitoral representam censura prévia e afrontam a jurisprudência fixada pela Suprema Corte na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 130, que assegura a livre expressão. O documento jurídico exige que o STF impeça novos cerceamentos ao canal, mesmo aqueles fundamentados em eventuais diretrizes voltadas para aplicativos de mensagens no período eleitoral.

Batalha jurídica e histórico de decisões no TSE

O canal enfrentou episódios de instabilidade nas semanas anteriores. No dia 11 de outubro, Nunes Marques ordenou a suspensão das atividades até a oficialização do pleito, proibindo postagens, entrada de novos seguidores e a abertura de plataformas paralelas. Contudo, a medida caiu no mesmo dia por ordem do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.

Dois dias depois, em 13 de outubro, o cenário mudou novamente quando Nunes Marques restabeleceu as sanções ao atender a um recurso do PL. A continuidade do canal passou a depender da comunicação formal de seu link à Justiça Eleitoral como ferramenta de propaganda do candidato Luiz Inácio Lula da Silva.

Relatórios técnicos e ausência de irregularidades

Apesar de o canal ter sido liberado posteriormente, os parlamentares apontam que as ordens restritivas anteriores continuam vigentes na prática. Em 22 de outubro, a presidência do TSE exigiu que a controladora do WhatsApp entregue um laudo técnico sobre coordenação na plataforma, além de requerer dados ao Google e ao X sobre a propagação de termos específicos.

Um dos pilares da reclamação aponta que a própria divisão de combate à desinformação da Corte Eleitoral não encontrou, nas postagens feitas entre 2 e 11 de outubro, a repetição das teses apontadas como falsas pelo senador Flávio Bolsonaro.

A defesa jurídica enfatiza que as punições ocorreram sem a comprovação de ilegalidade em postagens específicas e sem o direito prévio de defesa. Além disso, a petição pontua que a articulação entre apoiadores não constitui infração eleitoral, citando normativos do próprio tribunal que autorizam a militância digital espontânea por cidadãos comuns.

Novas medidas e pedidos ao Supremo

Paralelamente, os congressistas registraram que, no mesmo dia, o ministro Floriano de Azevedo Marques emitiu uma liminar parcial no TSE para bloquear efeitos de decisões que pudessem limitar o alcance do canal, exigindo que o plenário daquela corte analise o tema. Mesmo assim, a bancada avalia que a medida é instável e justifica a necessidade de intervenção do STF com base na ADPF 130.

No mérito da ação, o grupo petista quer que o STF anule as decisões contestadas e estabeleça que qualquer punição se restrinja à exclusão de materiais específicos julgados irregulares mediante decisão fundamentada e direito de defesa. Como alternativa, sugerem que qualquer restrição seja submetida previamente ao plenário do TSE.

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