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Abuso infantil em abrigo no Acre gera revolta familiar e investigação

Família que denunciou abuso de menino de 11 anos em abrigo no Acre cobra providências

Parentes de um menino de 11 anos cobram respostas após uma denúncia de abuso sexual dentro de um abrigo institucional em Cruzeiro do Sul, cidade no interior do Acre. O caso é apurado pela Polícia Civil, enquanto a família relata barreiras e falta de transparência por parte dos órgãos competentes desde que o caso veio à tona, no último dia 17.

Dificuldades no acesso à informação De acordo com uma tia da vítima, que preferiu não se identificar, os parentes enfrentaram resistência para obter dados sobre o ocorrido. A mulher relatou que, inicialmente, a entrada na instituição foi negada aos familiares, sendo permitida apenas a atuação de um advogado, da polícia e do conselho tutelar. Ela acrescentou que o garoto convive com TDAH, crises de epilepsia silenciosa e deficiência mental.

“Depois disso, que eu falei que tinha acionado o Ministério Público, em menos de cinco segundos tinha o responsável lá na frente para falar, só que aí não permitiram a minha entrada e nem a mãe dele, só permitiram a entrada da polícia e do pessoal do conselho, até que o advogado chegou e ele conseguiu entrar”, relatou a tia do menino.

Contraponto e transferência O 2° Conselho Tutelar de Cruzeiro do Sul declarou que seguiu rigorosamente os protocolos legais, comunicando as autoridades competentes e providenciando a transferência imediata do menor para outra unidade, visando separá-lo do suposto agressor. Em gravação publicada nas redes sociais, a conselheira Alderlis Dantas detalhou a atuação do órgão:

“Entramos em contato com o responsável pela instituição de acolhimento e, no local, o Conselho Tutelar decidiu retirar a criança daquela instituição e colocar em outra para separar a vítima do suposto violador”, afirmou.

A conselheira justificou que a formalização da ocorrência policial só ocorreu na segunda-feira (19) devido ao fato de o incidente ter se dado durante o final de semana.

“Nós realizamos nossos encaminhamentos, inclusive, para a delegacia que, por sua vez, vai tomar as medidas pertinentes ao caso, que não cabe ao Conselho Tutelar, que é investigar, instalar inquérito, todo o procedimento da delegacia”, enfatizou Dantas, reforçando o papel fiscalizador do órgão. “Nós pedimos que a sociedade não seja omissa, nós não podemos nos omitir, também. Além de zelar pela garantia desses direitos, o Conselho Tutelar, também é um órgão fiscalizador”, acrescentou.

Posicionamento da direção e investigação policial A administração do abrigo preferiu não se estender sobre o caso devido ao sigilo judicial que envolve o acolhimento de menores, mas assegurou cooperação total com as autoridades policiais.

“Nossa política de atendimento é a mesma do estado porque recebemos crianças em situação judicial, sob sigilo e circunstâncias. Está sendo apurado para saber o que aconteceu e o abrigo está à disposição das autoridades para esclarecimentos dos fatos, se é que aconteceram. Estamos à disposição do delegado, as diligências estão sendo feitas e o caso apurado”, afirmou a direção.

O delegado responsável pelo caso, Heverton, informou que diversas frentes de investigação já foram abertas, incluindo o pedido de exame de corpo de delito, coleta de depoimentos de familiares, funcionários e conselheiros, além da análise de imagens de segurança.

“A equipe esteve em campo, foi até o local do fato para conversar com os colaboradores e os diretores da instituição. Essas informações serão elaboradas em relatório e em inquérito policial. A investigação tende a apontar uma autoria em breve deste fato”, pontuou o delegado, acrescentando que o laudo pericial poderá confirmar indícios de violência mesmo dias após o ocorrido. “As lesões ficam, então, se de fato a criança tiver sido abusada sexualmente, o corpo de delito deve apontar o grau das lesões. O fato é, se tratando de estupro de vulnerável, o simples ato libidinoso, adverso a conjunção carnal, já é considerado crime”, complementou.

Além de identificar o autor da violência, a Polícia Civil também analisa se houve negligência ou omissão por parte dos administradores do abrigo e de outros agentes públicos ao demorarem para reportar o crime.

“O procedimento ainda encontra-se em fase inicial, estamos ouvindo todos, mas, o fato é, não só em relação ao autor que cometeu o fato, mas aqueles que tomaram conhecimento, não agiram e foram omissos também serão responsabilizados”, concluiu o delegado.

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