O governo federal reconheceu estado de emergência em 36 municípios amazonenses no último sábado (10.out.2026), enquanto brigadas federais e estaduais intensificam o combate às chamas que afetam severamente a qualidade do ar na região.
Balanço das operações ambientais De acordo com relatório divulgado no domingo (11.out) pelo Ministério do Meio Ambiente, o Ibama conseguiu apagar 236 incêndios florestais desde o início do período crítico e mantinha o trabalho em outras 22 frentes ativas. Os dados atualizam informações anteriores sobre a atuação das equipes em solo.
Disparada de focos de calor na região Entre os dias 1º e 10 de outubro, o território amazonense contabilizou 1.380 focos de fogo, registrando um salto de aproximadamente 271% em comparação aos 372 registros do mesmo período de 2025, conforme o Painel do Fogo do Censipam. Do total recente, 1.186 ocorrências foram identificadas em terras públicas, 93 em terrenos particulares e 101 em locais sem definição fundiária regular.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais esclarece que a contagem de focos via satélite não equivale exatamente ao número de ocorrências atendidas, visto que um único grande incêndio pode gerar múltiples detecções.
Seca prolongada e ação humana A Prefeitura de Manaus apontou que a piora do cenário decorre da estiagem rigorosa, da falta de precipitações desde o mês de agosto e da utilização ilegal de fogo para limpeza de terrenos e manejo de pastagens. Dados do Censipam vinculam 174 registros do início de outubro diretamente a áreas de desmatamento, enquanto os demais não tiveram causa especificada nos relatórios.
Qualidade do ar e impactos em Manaus A poluição atmosférica gerada pelas queimadas locais, além de focos em municípios vizinhos e outros estados, comprometeu a respiração na capital amazonense. A administração municipal registrou concentração média de material particulado fino de 196,4 microgramas por metro cúbico às 6h de sábado, índice considerado péssimo, com posterior queda para 46,4 microgramas à noite, patamar classificado como moderado.
Diante do cenário, a prefeitura manteve o estado de alerta e suspendeu todas as atividades públicas ao ar livre programadas para domingo (11.out) e segunda-feira (12.out), afetando espaços como o parque Cidade da Criança, a orla da Glória e o parque Gigantes da Floresta.
Ações de combate e apoio logístico Para conter o avanço do fogo, o Ministério do Meio Ambiente disponibilizou 11 aeronaves, sendo seis aviões Air Tractor, dois modelos KC-390, dois helicópteros e uma aeronave Caravan para suporte logístico. Desse total, seis aparelhos já operam no estado. O efetivo conta com 250 brigadistas federais atuando no terreno e outros 40 a caminho para reforçar o contingente.
O estado de São Paulo também enviou 25 bombeiros militares e cinco agentes da Defesa Civil para somar esforços no combate às chamas. A operação conjunta foi articulada após diálogo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador Roberto Cidade (União Brasil), resultando no envio imediato de pessoal, maquinário e aeronaves para o território amazonense.






