A Polícia Civil de São Paulo iniciou uma investigação oficial para esclarecer o falecimento de seis recém-nascidos que receberam atendimento no Hospital Salvalus, situado no bairro da Mooca, na zona leste da capital paulista. A apuração principal está sob a responsabilidade do 8º Distrito Policial, localizado no Brás.
Denúncias e dimensão do caso
De acordo com a advogada Eduarda Fragnan Gomes, que atua na representação de parentes das vítimas, o total de mães que perderam seus filhos na instituição pode chegar a 36 em um período aproximado de nove meses. A profissional relata que mantém contato direto com 18 mulheres e já representa três famílias formalmente na Justiça.
Com a repercussão pública do caso, novos relatos referentes aos últimos 90 dias chegaram ao conhecimento da defesa. “Esse número pode aumentar. Está aumentando exponencialmente”, disse a advogada Eduarda Fragnan Gomes.
A jurista explica que as ocorrências policiais não estão concentradas em uma única unidade investigativa. Enquanto seis casos específicos são analisados pelo 8º DP, existem registros espalhados por outras delegacias e famílias que ainda não formalizaram a denúncia. “Está pulverizado. Um está em situação com um inquérito instaurado, e as outras ainda estão para ir fazer boletim de ocorrência.”
Suspeitas sobre prontuários e infecção
O vínculo entre as famílias começou a se formar quando as mães perceberam coincidências nos tratamentos durante o período em que os bebês permaneceram internados na mesma unidade. A defensora entrou no caso após ser adicionada a um grupo de mensagens criado por uma cliente enlutada.
Segundo a advogada, o forte impacto emocional e o trauma psicológico justificam a demora de muitas mães em procurar as autoridades competentes. “Algumas ficaram muito tempo em depressão, em estados emocionais extremamente abalados. Tem umas que ainda vivem dopadas, sem condições nenhuma de tomar nenhuma providência”, relatou. “Foi por isso que comecei a orientá-las, a encorajá-las a buscar justiça e conhecimento do que poderia ser feito.”
Apuração de falhas documentais
A linha de raciocínio da defesa sugere que os recém-nascidos possam ter contraído uma bactéria nasdependências do hospital, levantando a possibilidade de contaminação cruzada, embora essa hipótese ainda não tenha confirmação oficial. Além disso, a advogada aponta divergências graves na documentação médica fornecida pela instituição.
“Eu tenho prontuários que têm intercorrências dizendo que a criança, pós-óbito, tem lá uma intercorrência no dia 6 de junho, mas a criança morreu no dia 10 de maio. Como que tinha uma intercorrência naquele prontuário se ele já tinha morrido?”, questionou.
A Secretaria da Segurança Pública informou que os episódios foram comunicados oficialmente à polícia em uma quarta-feira e que o trabalho investigativo envolve a oitiva de testemunhas e profissionais de saúde, além da análise minuciosa de toda a documentação hospitalar.
Posicionamento da instituição
O Hospital Salvalus é administrado pela rede Hapvida. Em posicionamento oficial enviado à imprensa, a empresa declarou que os pacientes mencionados possuíam quadros clínicos variados e de elevada complexidade, tendo recebido suporte contínuo de equipes multidisciplinares.
A companhia ressaltou que os protocolos terapêuticos foram adaptados individualmente conforme a evolução clínica de cada paciente. A administração também destacou que a diretoria de acolhimento da unidade mantém canais de comunicação abertos para dialogar com os familiares, assegurando o respeito à privacidade e ao sigilo médico.






