A economia brasileira será o principal obstáculo para o próximo presidente que assumir o comando do país. O vencedor do pleito precisará lidar com cobranças do mercado financeiro por ajuste fiscal, insatisfação popular com o custo de vida e um ritmo de crescimento menos acelerado previsto para o ano.
Desequilíbrios fiscais e promessas dos candidatos O patamar elevado da dívida pública é um dos maiores entraves. Em agosto, a dívida bruta atingiu R$ 11,1 trilhões, o equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto.
Flávio Bolsonaro propõe um corte de gastos expressivo, mas também promete manter o reajuste do salário mínimo e não desvincular benefícios sociais, gerando dúvidas no mercado. Já Lula aposta no crescimento da arrecadação por meio da expansão econômica para conter o endividamento estatal.
“Um governo bem-sucedido não vai ser aquele que vai apresentar os melhores números nesses quatro anos, mas aquele que vai conseguir deixar uma economia em condições melhores para crescer nos anos seguintes”, acredita Bruno Imaizumi, economista da consultoria 4intelligence.
“O problema é que o tempo urge, porque, com esse Congresso que ganhou as eleições — apesar de ser mais à direita, o que, em um cenário de eleição do senador Flávio, poderia ser mais palatável — há outras agendas fora desse ciclo econômico, fiscal, orçamentário, e isso também impõe limitações, sobretudo se não tiver um plano coeso, um plano claro”, diz Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos.
Crescimento desacelerado e o peso do setor agropecuário As projeções indicam uma alta modesta para o PIB no próximo ano, pressionada pela redução de estímulos fiscais e taxas de juros elevadas. Além disso, a previsão de impacto severo do fenômeno El Niño sobre a safra agrícola pode gerar retração no setor e encarecer os alimentos.
“Estamos projetando uma queda de 0,7% do agro no ano que vem, devido à questão do El Niño”, diz Bruno Imaizumi. “Está vindo um monstro climático, que está sendo subestimado.”
Poder de compra e o endividamento das famílias O custo de vida e o alto índice de endividamento formam o terceiro grande desafio. Embora o poder de compra tenha apresentado melhora em relação a 2022, o percentual de famílias endividadas continua elevado, exigindo medidas efetivas para desafogar o orçamento dos brasileiros.
“Não temos, de nenhum dos dois candidatos, propostas ainda bem definidas [de ajuste fiscal], esse é um debate que ficou para depois da eleição, porque todas as propostas passam por redução de despesa, algo que é obviamente impopular”, avalia Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter.






