Os candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) tiveram de empresários as maiores doações individuais que receberam na campanha eleitoral de 2026. Erasmo Carlos Battistella, CEO da Be8, do setor de biodiesel, destinou R$ 500 mil ao petista –repassou a mesma quantia para o senador fluminense.
Financiamento da campanha de Lula
Ao todo, Lula recebeu R$ 127,2 milhões. Foram R$ 87,6 milhões até o 1º turno e R$ 39,6 milhões depois da 1ª etapa de votação. Os valores incluem recursos dos fundos Eleitoral e Partidário, além de doações individuais. Os dados estão disponíveis no DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral.
A maior quantia vem dos partidos. O PT destinou R$ 124,1 milhões a Lula: foram R$ 123,8 milhões do Fundo Eleitoral (97,3% do total) e R$ 341,8 mil do Fundo Partidário. O petista também teve doações de financiamento coletivo (R$ 1,1 milhão).
Apoiadores e ministros na lista de Lula
O presidente da American Life Companhia de Seguros e ex-presidente da Caixa Seguradora, Pedro Pereira de Freitas, destinou R$ 90.000. O advogado Marco Aurélio de Carvalho, fundador do grupo Prerrogativas, doou R$ 50.000. Diretores da Transpetro, subsidiária da Petrobras, também destinaram recursos a Lula: Jones Alexandre Barros Soares (R$ 40.000) e Danilo Ferreira da Silva (R$ 30.000).
Ministros de Estado também integram a lista:
Miriam Belchior (Casa Civil) – R$ 27.955,09;
Alexandre Padilha (Saúde) – R$ 25.000;
Luiz Marinho (Trabalho e Emprego) – R$ 24.000;
Esther Dweck (Gestão e Inovação) – R$ 20.000.
Aloizio Mercadante, presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), também doou R$ 20.000.
Campanha de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro recebeu R$ 105,8 milhões em sua campanha em 2026. Do valor total, arrecadou R$ 68,7 milhões até o 1º turno (4.out) e R$ 37,1 milhões a partir de 5 de outubro. O PL repassou R$ 68,1 milhões a Flávio: R$ 47 milhões do Fundo Eleitoral, R$ 13,7 milhões do Fundo Partidário e R$ 7,4 milhões de demais doações para a campanha.
Agronegócio entre os maiores doadores
Dos 10 maiores doadores individuais, 4 são ligados ao agronegócio. O empresário Eloi Vitorio Marchett, que trabalha com cultivo de soja e pecuária bovina, é o principal doador, com R$ 2 milhões (fez 2 repasses de R$ 1 milhão cada). O fazendeiro e pecuarista Wilson Francisco Rotta doou R$ 1,8 milhão. Nelson José Vigolo, dono do grupo Bom Jesus Agropecuária, repassou R$ 1,1 milhão. Alexandre Grendene Bartelle, cofundador da fabricante de calçados Grendene, doou R$ 1 milhão a Flávio.
Regras e repasses do TSE
As informações no sistema DivulgaCand do TSE são atualizadas a cada hora. As doações financeiras recebidas devem ser informadas à Justiça Eleitoral em até 72 horas depois do recebimento. As campanhas eleitorais são financiadas prioritariamente com recursos públicos do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário —mantidos pelos pagadores de impostos. A legislação permite doações de pessoas físicas, uso de recursos próprios dos candidatos, transferências partidárias e arrecadação com venda de bens e eventos.
Os valores destinados do Fundo Eleitoral ao PT, em 2026, atingiram R$ 615 milhões. Só ficam atrás do PL, com R$ 881,7 milhões. Os 30 partidos receberam, juntos, R$ 4,9 bilhões do Fundo Eleitoral em 2026. É a mesma quantia reservada em 2022. Em 1º de julho, o TSE também decidiu manter os limites de gastos para candidaturas em 2026, atendendo a uma reivindicação de presidentes de partidos. Os limites que cada candidato a presidente pode gastar são: R$ 88.944.030,80 no 1º turno e mais R$ 44.472.015,40 no 2º turno.






