O advogado Yano Rodrigues da Silva, de 25 anos, registrou um boletim de ocorrência contra o deputado estadual Marcinho Belota (PL) por injúria racial. A acusação surgiu depois que o parlamentar publicou um vídeo nas redes sociais após um confronto na Universidade Federal de Roraima (UFRR), onde o político e uma blogueira destruíram materiais de estudantes.
Investigação e repercussão A Polícia Civil confirmou que o caso está sob investigação. O desentendimento começou quando Yano questionou a presença do parlamentar na instituição federal. Horas depois, o deputado publicou um story utilizando um filtro que alterava características físicas para simular cabelos cacheados e volumosos.
Para o advogado, a publicação teve a intenção clara de debochar da sua aparência e desqualificar sua humanidade por meio de artifícios preconceituosos.
“O deputado poderia muito bem ter discutido comigo em relação à minha posição política, em relação aos questionamentos que eu fiz a ele. Ele preferiu fazer a utilização de um recurso racista que nós chamamos de racismo recreativo, que é quando você utiliza de características das pessoas negras, seja dos fenótipos, do comportamento, da fala, para você descaracterizar a humanidade daquela pessoa”, declarou o advogado.
“Uma das minhas características enquanto um homem negro é o meu cabelo afro, que é em formato black power, que para mim é um sinônimo também de resistência em relação à minha própria identidade”, afirmou Yano.
Questionamentos políticos e institucionais O ativista também criticou a ausência de um posicionamento oficial da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) sobre o episódio, argumentando que a conta utilizada pelo político possui alcance financiado por recursos públicos.
“Se o deputado utiliza a rede social para falar qualquer coisa, ainda que seja sobre sua opinião pessoal, sua vida pessoal, isso também está sendo financiado pela Assembleia Legislativa porque tem dinheiro público ali sendo utilizado para manter aquele alcance que ele tem nas redes”, disse.
Yano também destacou sua relação prévia com o poder legislativo estadual em pautas de conscientização.
“A Assembleia Legislativa já por duas vezes me convidou para, como uma pessoa que é autoridade nesse assunto de questões raciais, participar de audiências públicas e ser um debatedor, ser um palestrante na Assembleia Legislativa em eventos em alusão à consciência negra. Eu, inclusive, já participei de uma campanha de conscientização em combate ao racismo da TV Assembleia”, relatou.
Contexto das invasões na UFRR O episódio de atrito ocorreu no campus universitário após o grupo liderado pelo deputado retirar panfletos e cartazes do local sob a justificativa de combater informações falsas.
“Eu fiz essa pergunta para ele, necessariamente porque, se ele é um deputado estadual e tem diversas atribuições que ele pode fazer em relação à educação, à participação cidadã, à democracia, ele não tinha necessariamente uma obrigação em relação à Universidade Federal”, explicou.
O Ministério Público Eleitoral reforçou pedidos para que a Polícia Federal conduza as apurações sobre as invasões e intimidações na instituição de ensino.
Nota oficial da defesa Procurado para comentar o caso, o parlamentar enviou um posicionamento oficial negando qualquer motivação preconceituosa em sua conduta nas redes sociais.
Repudio de maneira firme qualquer forma de racismo, preconceito ou discriminação. O respeito à dignidade humana sempre foi e continuará sendo um princípio fundamental da minha conduta pessoal e pública.
Em relação ao vídeo mencionado, esclareço que se tratou de uma manifestação descontraída, utilizando um recurso visual disponibilizado pela própria rede social ( SNAP CHAT) sem qualquer intenção de ofender, diminuir ou desrespeitar alguém em razão de sua cor, origem ou características físicas. Inclusive com diversas postagens em meu próprio instagram na qual brinco com vários amigos meu e com minha esposa ( basta analisar meu perfil que irá ver).
É fundamental compreender que nem toda manifestação bem-humorada ou divergência entre pessoas representa uma conduta discriminatória. Atribuir a alguém a prática de um crime tão grave exige responsabilidade, análise do contexto e elementos concretos que sustentem essa conclusão.
Respeito o direito do advogado Yano Rodrigues de apresentar sua interpretação dos fato e de recorrer aos meios legais que considerar adequados. Da mesma forma, espero que seja respeitado meu direito de esclarecer o ocorrido, sem julgamentos precipitados.
O racismo é uma questão séria, que merece enfrentamento permanente e responsável. Justamente por reconhecer sua gravidade, considero indispensável que qualquer acusação dessa natureza seja examinada com equilíbrio, respeito à verdade e observância das garantias legais.
Reafirmo que não tive a intenção de promover qualquer discriminação racial. Continuarei exercendo minha liberdade de expressão com responsabilidade, respeitando as diferenças e defendendo o diálogo, mesmo diante de opiniões divergentes.






