Home / Política / Modelo de Milei polariza eleição no Brasil e divide opiniões

Modelo de Milei polariza eleição no Brasil e divide opiniões

Da 'motosserra' ao custo social: como o modelo econômico de Milei virou tema da eleição brasileira

O modelo econômico adotado pelo presidente da Argentina, Javier Milei, tornou-se um dos principais temas de debate ao longo da corrida eleitoral brasileira. O líder ultraliberal assumiu o comando do país vizinho em 2023 com a promessa de revitalizar a economia por meio do chamado “Plano Motosserra”, um rigoroso programa de ajuste que envolveu cortes drásticos em gastos públicos, encerramento de subsídios, desvalorização da moeda e ampla desregulamentação.

Impacto econômico e social na Argentina

Sob a gestão atual, a Argentina conseguiu registrar superávit primário e conter a inflação, que despencou de 211,4% em 2023 para 31,5% em 2025, o patamar mais baixo em oito anos. Além disso, o Produto Interno Bruto (PIB) apresentou expansão de 4,4% no ano seguinte, enquanto o índice acionário S&P Merval acumulou forte alta em dólares e em pesos durante o primeiro ano completo do governo.

Apesar da melhora nos indicadores macroeconômicos, o custo social das medidas passou a cobrar seu preço. Mais de 32 mil empresas fecharam as portas ou deixaram de ter funcionários registrados, e o desemprego atingiu 7,9%, o índice mais elevado desde 2021. Nas regiões periféricas, o recuo da atividade econômica impulsionou a volta do escambo e aumentou a lotação em cozinhas comunitárias.

Reflexos na política e na corrida eleitoral brasileira

No cenário político do Brasil, a figura de Milei polarizou as discussões. Aliado de Flávio Bolsonaro (PL), o presidente argentino participou do lançamento da campanha do senador em julho. Durante o evento em Buenos Aires, Flávio elogiou a postura do mandatário vizinho.

“Quando o presidente Milei assumiu o cargo, a Argentina estava falida. Inflação acima de 200% ao ano. Mais da metade da população vivendo na pobreza”, disse o parlamentar brasileiro.

“Então, chegou Javier. E cortou a própria carne do Estado com uma motosserra. Reduziu ministérios pela metade. Acabou com privilégios. Equilibrou as contas. E os resultados estão à vista de todos”, acrescentou Flávio, em espanhol.

Por outro lado, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, passou a utilizar os efeitos sociais e o desemprego na Argentina para criticar a proposta. Peças divulgadas nas redes sociais do partido associam a imagem de Flávio Bolsonaro ao modelo de ajuste argentino e alertam para os riscos de medidas semelhantes no Brasil.

Diferenças estruturais entre Brasil e Argentina

Especialistas ressaltam que as realidades de Brasil e Argentina possuem distinções fundamentais. O país vizinho enfrentava uma crise hiperinflacionária sem precedentes quando o atual governo assumiu, cenário bem diferente do contexto brasileiro atual.

“Acredito que as circunstâncias em que Milei assumiram foram especiais. O Brasil não precisa nem teria tolerância política para eliminar o déficit fiscal de um dia para o outro, por exemplo”, afirmou Jimena Zuniga, analista de geoeconomia da América Latina da Bloomberg Economics.

Enquanto o Brasil debate a necessidade de equilibrar as contas públicas para conter o avanço da dívida bruta, que alcançou R$ 11,05 trilhões, analistas apontam que a economia brasileira conta com maior diversificação, reservas internacionais consolidadas e um sistema institucional capaz de amortecer choques externos sem a necessidade de um ajuste tão radical.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *