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Brasileira desiste de buscar filho levado ao Egito pelo pai há 4 anos

Brasileira diz não ver saída para recuperar filho levado há 4 anos ao Egito e pensa em desistir: 'Não consegui nada'

Após quatro anos de uma exaustiva batalha jurídica internacional, a brasileira Karin Rachel Aranha Toledo relata não enxergar mais caminhos para conseguir trazer o filho de volta ao Brasil. O menino Adam foi levado para o Egito pelo pai sem autorização em setembro de 2022, quando tinha apenas quatro anos de idade, dando início a uma série de impasses transnacionais.

O drama da subtração internacional

O histórico do caso inclui reviravoltas na Justiça de ambos os países. Em 2023, a Justiça Federal de Campinas (SP) decretou a prisão preventiva do pai e o inseriu na lista de procurados da Interpol. Posteriormente, Karin se mudou para território egípcio para acompanhar o processo de perto e obteve, em novembro de 2025, a guarda favorável do garoto concedida pelos tribunais locais.

Apesar de ordens para prender o pai e a avó paterna por descumprimento de ordens judiciais, as três tentativas de localizar Adam falharam. Após receber ameaças e ser levada para a Bélgica por uma instituição de apoio, a mãe retornou ao Brasil e relata falta de segurança para voltar ao exterior sem suporte adequado.

“Eu não tenho condições de ir para o Egito e passar o perigo que eu passei da última vez, sozinha. Eu sou sozinha, sou eu por eu mesma. Não vejo nenhum tipo de saída, a não ser esperar o tempo passar e pedir a Deus para que, um dia, ele possa dar a oportunidade do meu filho poder me ver novamente”, declarou Karin.

Impacto emocional e perdas irreparáveis

Com o garoto prestes a completar oito anos, a mãe lamenta o tempo perdido longe do desenvolvimento da criança e o distanciamento das rotinas mais básicas do dia a dia.

“Mês que vem o Adam faz oito anos. Quatro anos não são quatro dias, são quatro anos perdidos”, desabafou, acrescentando sobre a dor da saudade: “Eu não sei o número que meu filho veste, o número que meu filho calça, o desenho favorito dele, o que ele gosta de comer. É como se a minha maternidade tivesse sido arrancada”.

Além do desgaste psicológico e do temor de que o menino não saiba de sua luta, as despesas financeiras ultrapassaram a marca de R$ 500 mil, valor acumulado entre gastos com advogados, viagens e trâmites legais.

Posicionamento oficial das autoridades

O Ministério das Relações Exteriores informou que acompanha o andamento do processo desde 2022 por meio da Embaixada do Brasil no Cairo, prestando apoio jurídico, psicológico e interlocução diplomática de alto nível com o governo local. Órgãos como o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Autoridade Central Administrativa Federal (Acaf) não responderam aos contatos até o momento da publicação.

“O Ministério das Relações Exteriores, por intermédio da Embaixada do Brasil no Cairo, acompanha o caso desde que foi notificado a respeito, em 2022. A Embaixada presta assistência consular ao menor nacional e a sua família – inclusive sob a forma de auxílio na interlocução com as autoridades locais, visitas consulares, aconselhamento jurídico e facilitação de apoio psicológico – e permanece em contato com as autoridades egípcias”, destacou a pasta em nota oficial.

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