O governo ucraniano denunciou que as forças russas mantiveram os bombardeios contra instalações elétricas e de combustíveis no país, ignorando completamente uma proposta de trégua divulgada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O anúncio de Trump e a reação em Kiev
O republicano revelou no domingo (11), através de sua rede social, que Moscou e Kiev teriam aceitado interromper imediatamente as agressões mútuas contra alvos do setor energético, embora não tenha apresentado maiores detalhes sobre o entendimento. O líder da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, participou do Fórum de Segurança de Varsóvia, na Polônia, e esclareceu que soube da medida por meio da imprensa, sem receber qualquer confirmação oficial do Kremlin. “Apoiamos a proposta, mas não ouvi nenhuma aprovação por parte da Rússia”, declarou o mandatário ucraniano, acrescentando uma crítica bem-humorada sobre a postura do governo rival: “Ficou claro que Putin não lê o Truth Social”.
Escalada de violência em Kharkiv e Kiev
Logo após a repercussão da suposta trégua, mísseis e drones atingiram uma usina elétrica em Kharkiv, além de uma planta de gás e um posto de combustíveis. A continuidade da ofensiva gerou novas vítimas civis no território ucraniano. Um ataque com drone na vila de Pisochyn deixou três mortos e nove feridos, incluindo menores de idade, atingindo uma zona residencial e comercial. Na capital Kiev, destroços de aeronaves abatidas causaram incêndios e feriram duas pessoas. Enquanto isso, autoridades da União Europeia mantiveram um tom de ceticismo em relação aos anúncios vindos de Washington, ressaltando que qualquer acordo duradouro precisa proteger também a população civil.
Cenário político e eleições sob lei marcial
As discussões sobre o conflito também esbarram em impasses políticos envolvendo a realização de eleições na Ucrânia. Enquanto Trump criticou a condução do governo local e sugeriu a necessidade de um novo líder, Zelensky reiterou que o pleito é juridicamente inviável durante a vigência da lei marcial. No entanto, o chefe de Estado abriu a possibilidade de negociar o tema com o Parlamento caso seja estabelecido um cessar-fogo total com duração mínima de 60 dias. A Ucrânia reforçou que permanece aberta a cessar os ataques contra refinarias russas, desde que Moscou adote a mesma postura para blindar a infraestrutura civil ucraniana.






