A equipe jurídica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entregou nesta quinta-feira (22.oct.2026) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) as procurações que autorizam a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do chefe do Executivo e de seus familiares. Apesar do protocolo físico na corte eleitoral em Brasília, nenhum extrato ou movimentação financeira foi tornado público de forma imediata.
Como funciona o acesso aos dados
Os documentos entregues consistem exclusivamente em autorizações legais e não contêm as informações financeiras em si, que permanecem sob a guarda do Banco Central, de instituições bancárias, da Receita Federal e de operadoras de telefonia. A estratégia da campanha petista consiste em fazer com que o ministro André Mendonça solicite formalmente esses registros às autoridades competentes para publicá-los simultaneamente em um portal aberto.
O material foi transportado em um malote físico até a sede do TSE por uma comitiva governamental e partidária. A entrega contou com a participação do secretário especial para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Marcelo Pogliese, do presidente do PT, Edinho Silva, do ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e do senador Camilo Santana (PT-CE), que coordena a movimentação eleitoral.
Posicionamento da justiça e impasses
Por outro lado, o ministro André Mendonça determinou que a renúncia aos sigilos não depende de ordem judicial, sustentando que os próprios candidatos possuem autonomia para divulgar o material por iniciativa própria. O acordo firmado entre os concorrentes previa inicialmente que o TSE faria a requisição oficial, ponto divergente na interpretação das regras.
O pacto abrange ambos os lados da disputa eleitoral. No entanto, a equipe adversária condicionou a liberação de seus próprios registros, incluindo dados vinculados a uma offshore em Portugal, à análise prévia do material apresentado pelo atual presidente. O senador eleito Deltan Dallagnol (PR), responsável pela auditoria da documentação pelo grupo opositor, declarou nas redes sociais que a campanha de Lula “não trouxe nada” ao TSE. Em resposta, os representantes petistas reiteraram que as procurações encontram-se devidamente anexadas ao processo.
Expectativa para o segundo turno
Questionado por jornalistas na área externa do tribunal sobre os prazos, Guilherme Boulos afirmou que “há tempo até domingo”. Na avaliação do ministro, caso o relator ordene a requisição, o sistema financeiro dispõe de capacidade técnica para entregar os relatórios antes do pleito de 25 de outubro.
Caso o ministro decida não emitir as ordens de requisição e intimação, a representação de Lula sinalizou que interporá recurso diretamente ao plenário da corte.
Pessoas e entidades incluídas
A petição protocolada abrange as autorizações fiscais, bancárias e telefônicas de diversos nomes e organizações ligados ao chefe de Estado:
- Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha – filho do presidente e empresário;
- Renata de Abreu Moreira – esposa de Lulinha;
- Paulo Tarciso Okamotto – ex-presidente do Instituto Lula;
- Rosangela Lula da Silva, a Janja – primeira-dama;
- Instituto Luiz Inácio Lula da Silva;
- Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola – ex-chefe de gabinete;
- Maria Beatriz Lula da Silva de Miranda, Thiago Trindade Lula da Silva e Ashtar Alexandre Soncini Lula da Silva – familiares que aderiram ao compromisso.
Apesar da entrega formal dos documentos de consentimento, a divulgação integral das informações depende dos próximos desdobramentos processuais na justiça eleitoral.






