O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, declarou que três dos mísseis balísticos disparados pelas forças russas em uma ofensiva de grande escala contra Kiev continham ogivas de munição fragmentada.
Uso de armamento proibido
O episódio ocorreu nesta quinta-feira (22), logo após novas rodadas de conversas diplomáticas trilaterais envolvendo Estados Unidos, Rússia e Ucrânia. As ogivas em questão explodem no ar ao se aproximarem do alvo, espalhando destruição em um raio de 400 metros. O artefato é alvo de severas críticas internacionais e possui uso banido por um tratado assinado por mais de 110 países.
De acordo com o líder ucraniano, a escolha do armamento teve o propósito deliberado de maximizar os danos e o número de vítimas civis, já que a região atingida não abrigava instalações militares.
“Este é mais um ataque extremamente revelador. Trata-se de uma escolha deliberada da arma, de uma escolha deliberada da área onde ela foi empregada e de uma intenção consciente de causar o maior número possível de vítimas e danos entre civis. Nas proximidades não havia sequer teoricamente qualquer instalação militar, e a própria arma foi projetada para causar destruição em larga escala. A Rússia não mudou sua forma de conduzir esta guerra e não dá sinais que indiquem um desejo genuíno de encerrá-la”, postou Zelensky.
Repercussão internacional e sanções
Sem citar nominalmente o presidente americano Donald Trump, que recentemente suspendeu tarifas e sanções impostas à Rússia, o chefe de Estado ucraniano alertou que a flexibilização das pressões internacionais apenas reforça a confiança de Vladimir Putin em seus objetivos bélicos. Diante do cenário, Zelensky cobrou de seus aliados maior celeridade na liberação e entrega de pacotes de ajuda militar já aprovados.
Horas antes dos bombardeios, as conversas diplomáticas haviam trazido perspectivas de trégua, incluindo a proposta de congelar a linha de frente do conflito. No entanto, a chuva de mísseis balísticos que atingiu edifícios residenciais, a rede de energia e ferrovias na capital demonstrou a volatilidade da situação.
“Quase imediatamente após mais uma rodada de negociações, a Rússia lançou um ataque deliberado. Isso significa que não houve nenhuma mudança real em sua postura. (…) Três ondas de mísseis balísticos, 21 no total, foram lançadas contra Kiev pelos ‘humanitários’ russos desde a noite de ontem”, afirmou Zelensky.
Resposta militar e o lado russo
Enquanto a Ucrânia contabiliza dezenas de feridos em Kiev e em outras onze regiões devido à escassez de defesas antiaéreas de longo alcance para interceptar mísseis balísticos, o Ministério da Defesa da Rússia apresentou uma versão diferente dos eventos da madrugada.
Moscou relatou ter desferido um ataque massivo contra o setor portuário e embarcações das forças ucranianas na região de Odessa, além de afirmar que suas baterias antiaéreas interceptaram e destruíram mais de 800 drones lançados pela Ucrânia ao longo da noite.
Apesar dos contatos diplomáticos recentes em São Petersburgo entre autoridades russas e o enviado especial norte-americano Steve Witkoff, o encerramento do conflito permanece incerto. Reforçando a posição de seu governo, o presidente ucraniano frisou que qualquer tratativa precisa de maneira indispensável da participação direta de Kiev.
“Sempre disse que estamos abertos a negociar em qualquer formato, sobre qualquer tema. Mas não falem sobre nós sem a nossa presença”, concluiu o presidente ucraniano.






