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Incêndios no Amazonas disparam após o primeiro turno das eleições municipais

Focos de fogo no Amazonas crescem após 1º eleições e atingem áreas privadas

Os focos de incêndio no estado do Amazonas registraram um salto expressivo a partir de 4 de outubro, data em que ocorreu o primeiro turno das eleições municipais. Entre os dias 4 e 14 daquele mês, dezenove municípios localizados nas regiões metropolitana e central contabilizaram 5.598 registros de fogo, de acordo com dados do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). O volume representa um crescimento de aproximadamente 37 vezes na comparação com o mesmo período do ano anterior, quando foram catalogados apenas 149 casos.

Concentração em imóveis rurais e áreas desmatadas

Um levantamento realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelou que 79,1% dos 1.639 focos de calor identificados em todo o território amazonense entre 1º e 15 de outubro estavam localizados em imóveis rurais privados que possuem registro no Cadastro Ambiental Rural (CAR).

Além disso, os dados detalham que 52,8% das ocorrências do mês afetaram locais que haviam sofrido desmatamento nos três anos anteriores. Outros 30,6% atingiram zonas abertas há mais tempo, enquanto 15,9% avançaram sobre áreas de vegetação nativa.

Comparativo histórico e restrições legais

O somatório divulgado pelo Ipam para os 19 municípios superou os 4.385 focos computados no mesmo intervalo de 2023. No acumulado de janeiro até 14 de outubro de 2026, essas mesmas localidades alcançaram 15.674 registros, marca que supera em 109,4% a média histórica. O mês de setembro havia fechado com 6.861 ocorrências, ao passo que a primeira quinzena de outubro já somava 6.183.

No território amazonense, qualquer prática de queima controlada para o manejo do solo exige licença prévia do órgão ambiental competente. Contudo, desde o dia 9 de setembro, o governo estadual determinou a proibição total do uso do fogo.

A situação é agravada pelas condições climáticas. A escassez de chuvas e os reflexos do fenômeno El Niño deixam a vegetação altamente inflamável, ampliando o perigo de propagação rápida. Desse modo, chamas iniciadas em terras particulares correm o risco de atingir reservas ecológicas e terras indígenas.

Fiscalização do Ibama e autuações milionárias

Como resposta à crise ambiental, operações de fiscalização conduzidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a partir de 12 de outubro nos municípios de Autazes e Careiro da Várzea culminaram na punição de 19 infratores, na emissão de R$ 2 milhões em multas e no embargo superior a 250 hectares.

Durante as diligências, as equipes de fiscalização também documentaram episódios nos quais indivíduos arremessavam recipientes contendo combustível nas margens de rodovias estaduais e federais.

O presidente do Ibama, Jair Schmitt, disse que os agentes identificaram uma sensação de impunidade durante o período eleitoral. Ele levantou a hipótese de que algumas pessoas estariam aproveitando o momento político para intensificar o caos, mas afirmou que as causas do aumento dos incêndios precisam ser investigadas.

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