O Instituto Estadual do Ambiente (Inea), em parceria com as prefeituras de Cabo Frio e Arraial do Cabo, abriu uma investigação para apurar a criação de uma passagem não autorizada na faixa de areia da Praia do Foguete, localizada na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. A intervenção ligou o mar à Lagoa da Barra Nova, também chamada popularmente de Lagoa Vermelha, alterando de forma drástica a paisagem costeira.
Impacto visual e ambiental na Região dos Lagos
Registros feitos por meio de imagens aéreas evidenciam a profunda modificação provocada pela nova conexão entre os corpos d’água. Conforme o Inea, nenhuma autorização foi solicitada ou emitida para a realização de obras ou intervenções na área, que integra o Parque Estadual da Costa do Sol. A situação também surpreendeu banhistas e surfistas locais, como um atleta que relatou não observar a lagoa naquele arranjo há cerca de quatro anos.
Versão dos banhistas e defesa sobre o vídeo
Um registro em vídeo que tomou as redes sociais mostra frequentadores cavando a areia da praia. Um dos banhistas identificados nas imagens, Caio Pinheiro, rejeitou qualquer nexo causal entre a atividade recreativa do grupo e o rompimento da faixa de areia.
“Eu e meus amigos estávamos na praia brincando e cavando uma pequena piscina natural na areia, uma atividade recreativa comum entre frequentadores da praia”, afirmou.
O banhista acrescentou ainda:
“Inclusive, havia crianças pequenas, de aproximadamente dois anos, participando da brincadeira. Em nenhum momento nossa intenção foi romper a lagoa, provocar qualquer dano ambiental ou realizar uma abertura irregular”, disse Caio.
Segundo a cronologia relatada por ele, o evento de rompimento da lagoa aconteceu dias após o registro das imagens.
“Outro ponto importante é a cronologia dos acontecimentos: segundo o que presenciamos, o rompimento da lagoa ocorreu aproximadamente sete dias depois da gravação do vídeo. Na ocasião em que estivemos na praia, o tempo estava ensolarado, após um período de chuvas intensas. Por isso, considero importante que essa diferença de datas seja levada em consideração antes de se estabelecer qualquer relação entre a nossa brincadeira e o rompimento posterior”, explicou.
Por fim, Caio declarou:
“Entendo a importância da preservação ambiental e respeito o trabalho dos órgãos responsáveis pela fiscalização. Entretanto, considero injusto que a divulgação do vídeo leve as pessoas a acreditar que fomos responsáveis pelo rompimento da lagoa, sem que essa responsabilidade tenha sido devidamente comprovada”, concluiu Caio, colocando-se à disposição das autoridades.
Posicionamento das autoridades ambientais e prefeituras
Especialistas e gestores públicos pontuam que o fenômeno pode acontecer tanto por fatores naturais quanto por ação antrópica. O secretário municipal de Meio Ambiente de Cabo Frio, Jailton Dias, alertou que o escoamento da água da lagoa em direção ao oceano provoca modificações na salinidade, além de afetar diretamente a flora e a fauna locais.
O secretário destacou o papel do ecossistema e reforçou a necessidade de controle estrito:
“Estamos monitorando essa abertura em conjunto com o órgão competente. Chamo a atenção para o fato de que esta é uma área importante para a drenagem natural do bairro, por isso precisamos de autorização e acompanhamento”, explicou.
A prefeitura de Arraial do Cabo pontuou por meio de nota oficial que acompanha de perto o episódio, mas ressalvou que ainda não existem evidências definitivas de que o canal tenha sido aberto de forma intencional. A administração municipal lembrou que a Lagoa da Barra Nova costuma passar por ciclos naturais de escoamento do excesso hídrico devido a temporais, fator que pode ter facilitado o rompimento da madrugada entre os dias 18 e 19 de outubro.






