O governo da Espanha condenou duramente Javier Milei nesta quarta-feira (21) após o presidente argentino proferir ataques verbais contra o primeiro-ministro Pedro Sánchez durante uma visita oficial ao país europeu.
Críticas duras ao governo espanhol
O episódio ocorreu em um fórum econômico, onde o líder ultraliberal, de 55 anos, discursou em apoio à oposição de direita e de extrema direita a poucas semanas das eleições gerais antecipadas, marcadas para 29 de novembro e que devem mobilizar cerca de 39 milhões de eleitores. As pesquisas apontam vantagem inicial para o conservador Partido Popular, embora sem maioria absoluta, o que pode colocar a legenda de extrema direita Vox em uma posição decisiva.
Durante sua intervenção, o mandatário argentino fez duras críticas ao modelo político local e disparou:
“A Espanha soube acolher centenas de milhares de argentinos que fugiram da miséria e da falta de futuro, fruto do sinistro socialismo do século XXI e de sua filial argentina, o ‘kirchnerismo’, e vocês sofrem regularmente com o inaceitável ditador Pedro Sánchez”
Reação oficial do governo da Espanha
A resposta diplomática de Madri foi imediata por meio de uma nota oficial emitida pelo Ministério das Relações Exteriores, que manifestou repúdio às declarações do chefe de Estado sul-americano.
“É vergonhoso que uma pessoa que ocupa o mais alto cargo de uma nação irmã faça visitas ao nosso país com o único objetivo de tentar fomentar um clima de polarização e violência”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Espanha em um comunicado.
A chancelaria espanhola também declarou sua “mais enérgica condenação” aos “insultos e calúnias”, reforçando que o país “não aceita ingerências externas, nem ataques e injúrias ao seu presidente”.
Acusações econômicas e migratórias
Além de chamar o premiê de “ladrão” e “corrupto” e incentivar os cidadãos a “expulsarem os socialistas a pontapés”, o governante argentino direcionou suas críticas às legendas de esquerda na Europa, responsabilizando-as pela “estagnação brutal” do continente.
No setor migratório, o chefe de Estado acusou a gestão de Sánchez de incentivar uma suposta “invasão” com fins eleitorais, relembrando episódios no enclave de Ceuta. “A estagnação econômica, combinada com a irresponsabilidade migratória, traça um caminho de decadência muito difícil de reverter para o futuro”, avaliou.
A agenda da viagem em Madri incluiu ainda compromissos políticos com aliados locais, prevendo encontros com líderes do partido Vox e com a presidente conservadora da Comunidade de Madri, Isabel Díaz Ayuso, filiada ao Partido Popular.






