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Controle da pressão alta pode evitar 518 mil mortes por ano

Controle da pressão alta poderia evitar mais de 500 mil mortes por doenças cardiovasculares por ano, mostra pesquisa

Entre todas as intervenções preventivas disponíveis na medicina, a estabilização da pressão arterial é a que possui o maior potencial para salvar vidas em escala global. A ampliação do diagnóstico e do tratamento da hipertensão tem capacidade para impedir exatamente 518.476 mortes cardiovasculares anualmente em todo o planeta, segundo dados apresentados no Hypertension Scientific Sessions 2026, congresso promovido pela American Heart Association.

Impacto das ações preventivas no sistema de saúde

O levantamento avaliou os efeitos da expansão de cuidados médicos em 20 países de renda média alta e média baixa. Para além da hipertensão, outras intervenções preventivas demonstraram enorme capacidade de reduzir a mortalidade por doenças não transmissíveis:

O tratamento com estatinas em pacientes com colesterol elevado poderia poupar 340.682 vidas todos os anos.

O controle da glicemia em indivíduos diagnosticados com diabetes tipo 1 ou tipo 2 teria o potencial de evitar 309.520 óbitos anuais.

As projeções consideraram um cenário em que as redes públicas de saúde atingissem 80% de cobertura das pessoas elegíveis aos cuidados, parâmetro similar ao índice alcançado pelos Estados Unidos. Por se tratar de um modelo de simulação estatística, os resultados são indicativos de uma ordem de magnitude real.

Scott Pilla, professor associado de medicina na Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins e autor principal do estudo, explica as bases do cálculo:

“Eu diria que esse número é uma aproximação baseada nos melhores dados disponíveis e, embora o número possa não ser esse exatamente, eu esperaria que o resultado verdadeiro estivesse dentro dessa faixa geral”, analisa o pesquisador.

Déficit de diagnóstico e baixa adesão ao tratamento

Apesar dos benefícios evidentes, o cenário atual é preocupante: apenas um em cada cinco adultos com hipertensão nas localidades analisadas mantinha os índices sob controle, definidos na pesquisa como taxas abaixo de 140/90 mm Hg.

Outros indicadores preventivos registraram números ainda mais baixos. Somente 16% dos indivíduos que necessitavam de estatinas recebiam a medicação, e meros 39% dos diabéticos mantinham a glicose em faixas ideais. Já os exames de rastreio preventivo para cânceres de colo do útero, mama e cólon foram realizados por apenas 14% a 26% do público-alvo.

O autor principal destacou os entraves que limitam esses índices nos sistemas públicos:

“Entre as principais lacunas estão a detecção limitada da hipertensão, o acesso insuficiente a cuidados médicos e medicamentos e a infraestrutura dos sistemas de saúde”, afirma.

Desafio concentrado em nações de renda média

A carga das enfermidades crônicas recai com mais força em economias em desenvolvimento. Atualmente, as doenças não transmissíveis causam cerca de 60% dos óbitos no mundo, com 73% desses registros ocorrendo em regiões de renda média ou baixa.

De acordo com os cálculos, o avanço na gestão da pressão arterial pouparia 223.282 vidas anuais em territórios de renda média alta e outras 223.655 mortes naqueles de renda média baixa. A ausência de triagens periódicas e o desabastecimento de remédios essenciais explicam a elevada vulnerabilidade dessas populações.

Bases do estudo e perspectivas

Para construir as projeções, a equipe cruzou bases de dados globais, como a Global Burden of Disease, a NCD Risk Factor Collaboration e ferramentas de vigilância da Organização Mundial da Saúde (OMS). Embora a diretriz de 2025 da American Heart Association estipule metas abaixo de 130/80 mm Hg para pacientes medicados, a pesquisa utilizou o teto de 140/90 mm Hg como referência.

Os achados ainda são preliminares e dependem de revisão por pares antes da publicação final em periódico científico. Scott Pilla ressalta que o foco é desenhar soluções práticas para a atenção primária:

“Nosso grupo está trabalhando para aumentar o atendimento à hipertensão em áreas rurais, melhorar a permanência dos pacientes no tratamento e utilizar estratégias alternativas de tratamento em nível populacional, como sais com baixo teor de sódio”, comenta.

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