O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) retirou de sua nota metodológica a menção explícita à estimativa de comercialização de drogas ilícitas no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Publicada inicialmente em 8 de outubro de 2025, a primeira versão do documento indicava que a reformulação das Contas Nacionais traria novidades como a mensuração desse mercado ilegal. Contudo, em uma versão mais recente divulgada em 11 de setembro de 2026, a referência direta deixou de constar no texto oficial.
Repercussão pública e justificativa institucional A polêmica ganhou força nas redes sociais em setembro, período em que diversos perfis questionaram a inclusão da atividade no cálculo por interpretarem a medida como uma tentativa de inflar os dados da economia brasileira. A alteração gerou debates acalorados sobre a transparência dos indicadores governamentais e as normas estatísticas adotadas no país.
Questionado sobre a alteração, o instituto se manifestou por meio de nota oficial. “As notas metodológicas são atualizadas rotineiramente durante o processo de revisão das Contas Nacionais”, informou o órgão, acrescentando que essas modificações “podem considerar comentários externos, alterações no cronograma e questões metodológicas ou relacionadas às bases de dados utilizadas”.
Apesar dos esclarecimentos, a instituição não detalhou o motivo específico para a remoção do trecho sobre entorpecentes e tampouco confirmou se a estimativa será efetivamente integrada ao resultado final. A previsão atual é que os primeiros dados da nova série sejam divulgados somente em 2028.
Critérios globais para o cálculo de mercados ilegais As discussões sobre o tema começaram em 2019, acompanhadas de uma estimativa-teste realizada em 2021. De acordo com as diretrizes internacionais, como o System of National Accounts (SNA) da ONU, o critério principal para o PIB não é a legalidade da atividade, mas sim a existência de uma transação econômica voluntária entre comprador e vendedor.
Manuais especializados apontam que ignorar completamente esses mercados pode gerar distorções estatísticas relevantes, a exemplo do cálculo da poupança das famílias. Caso o gasto com um produto proibido não seja computado, as estatísticas podem indicar falsamente que o montante permaneceu retido pelo consumidor, gerando inconsistências nos dados macroeconômicos.
Metodologia baseada no consumo A estratégia para dimensionar o setor não se apoia apenas em apreensões policiais, mas prioriza o lado da demanda por meio de pesquisas de consumo. O cálculo baseia-se na multiplicação entre o número de usuários, o consumo médio individual e o preço médio de venda. Em seguida, os analistas subtraem os custos de produção para determinar o Valor Adicionado Bruto (VAB).
Embora os manuais internacionais sugiram a análise de três frentes ilegais — drogas, prostituição e contrabando —, o instituto não especificou se pretende abranger todas essas áreas ou focar exclusivamente no comércio de entorpecentes.






