As cidades de Mumbai e Nova Déli registraram intensas manifestações lideradas pela juventude indiana ao longo do fim de semana. Organizados pelo Partido do Povo Barata (CJP, na sigla em inglês), milhares de integrantes da Geração Z ocuparam os espaços públicos para exigir mudanças profundas na condução das eleições do país e a destituição de sua liderança máxima.
Pressão sobre o sistema de votação
Embora não possua registro formal como agremiação política, o grupo atua diretamente no debate público e tem como alvo Gyanesh Kumar, Comissário-Chefe da Comissão Eleitoral. Os ativistas sustentam, em coro com lideranças de oposição, que há direcionamento e irregularidades no processo de revisão do eleitorado, realizado às vésperas de pleitos estaduais decisivos.
Tanto a Comissão Eleitoral quanto a gestão federal rechaçam as acusações. Segundo as autoridades, os ajustes cadastrais fazem parte de uma rotina técnica voltada à exclusão de títulos duplicados, inaptos ou referentes a cidadãos que já morreram.
Repressão policial e milhares de detenções
O aparato de segurança montado para conter os atos mobilizou forças policiais convencionais e a Força de Ação Rápida, que bloquearam vias estratégicas com barricadas. Manifestantes tentaram formar cordões diante de veículos oficiais para evitar o encarceramento de colegas.
Ao todo, a imprensa local computou a retenção temporária de cerca de 7.000 pessoas no sábado (10/10), seguida por centenas de novas detenções no domingo (11/10). Entre os alvos da ação policial esteve Neha Bora, líder da associação de estudantes AISA, capturada durante as manifestações na capital.
O fundador do grupo, Abhijeet Dipke, foi detido juntamente com outros articuladores assim que desembarcou em Nova Déli. A soltura ocorreu na manhã de domingo por decisão judicial de primeira instância, concedida sob a condição de que não perturbem a ordem pública pelo período de um ano, conforme informou a polícia.
Logo após deixar a custódia, Dipke garantiu resistência: o CJP não recuará nem se deixará intimidar. Em postagem na rede social X, o ativista disparou: [Narendra] Modi, como primeiro-ministro, é uma vergonha para a Índia.
A origem do movimento de protesto
O CJP ganhou força no mês de maio a partir de uma reação indignada a declarações do presidente do Supremo Tribunal da Índia. Na ocasião, o magistrado empregou o termo barata ao citar jovens fora do mercado de trabalho envolvidos em ativismo e jornalismo.
Diante da repercussão negativa, o chefe do Judiciário recuou parcialmente, afirmando que mirava indivíduos com diplomas falsos e fraudulentos. Desde então, a juventude transformou a ofensa em símbolo de resistência satírica, movimento que já havia culminado na queda do ministro da Educação em julho e agora volta o foco para a transparência do processo eleitoral.






