O grupo empresarial Convergência Brasil oficializou nesta terça-feira, 20, um manifesto declarando voto na candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência da República no segundo turno das eleições de 2026. Intitulado “Eleições devem ser decididas por projetos, não pelo medo”, o documento aponta que o plano econômico do senador alinha-se melhor com as demandas da organização por liberdade econômica, menor intervenção estatal, segurança jurídica e responsabilidade fiscal.
Defesa institucional e rejeição a temores
A entidade refutou a narrativa de que a vitória do parlamentar representaria uma ameaça ao regime democrático brasileiro. Segundo a organização, o país conta com sólidas salvaguardas institucionais, como a atuação fiscalizadora do Poder Judiciário, a independência do Congresso Nacional, a liberdade de imprensa e a participação ativa da sociedade civil.
“A alegação de que a candidatura de Flávio Bolsonaro representa um risco à democracia precisa ser examinada à luz da realidade institucional do país”, pontua o documento, que acrescenta: “A alternância, aliás, é parte essencial do seu funcionamento”.
Críticas à gestão econômica atual
Para fundamentar a escolha pelo candidato da oposição, o manifesto detalha o desgaste dos indicadores fiscais ao longo da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o texto, a carga tributária nacional atingiu 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, marcando o patamar mais elevado da série histórica do Tesouro Nacional iniciada em 2010. Além disso, a dívida bruta do governo geral escalou para 82,9% do PIB em agosto de 2026, o maior índice desde 2021.
O grupo também chamou atenção para a injeção de recursos em medidas de estímulo durante o ano eleitoral. Conforme o manifesto, as ações criadas ou expandidas pelo Executivo federal — englobando crédito subsidiado, subsídios e renúncias fiscais — superaram a marca de R$ 350 bilhões. A entidade aponta ainda que 94% dos benefícios apresentados até a metade de 2026 ficaram fora dos tetos de gastos previstos pelo arcabouço fiscal, enquanto a taxa de investimento fechou 2025 em 16,8% do PIB, patamar visto como insuficiente para impulsionar a economia.
Exigências e metas para um eventual governo
O Convergência Brasil destacou que o programa registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contempla propostas defendidas pelo setor, a exemplo de superávits primários consistentes, controle e redução da dívida pública, enxugamento de pelo menos dez pastas ministeriais e o retorno das privatizações. O grupo também apoia a simplificação da reforma tributária para diminuir as exceções e baixar a alíquota padrão dos novos tributos sobre o consumo.
Contudo, a organização deixou claro que o endosso não representa carta branca e impôs condições, exigindo metas claras como a quantificação da economia com cortes de gastos, a projeção do resultado primário para 2027 e a abstenção de novas exceções ao arcabouço fiscal, além de critérios técnicos para nomeações em tribunais e agências reguladoras.
“Apoio, para nós, não é cheque em branco”, reforça o manifesto, garantindo que a entidade fiscalizará e cobrará publicamente a execução das promessas, independentemente do desfecho do pleito.
Avanço nas doações privadas
O anúncio do bloco empresarial reflete uma tendência de aproximação entre a campanha de Flávio Bolsonaro e o empresariado nacional. Dados das prestações de contas mostram que o candidato do PL angariou mais de R$ 20,3 milhões em contribuições privadas durante a segunda etapa da disputa, superando com folga os R$ 709,1 mil arrecadados pelo presidente Lula (PT) no mesmo período, uma diferença aproximada de 29 vezes. Os principais financiadores da campanha do senador incluem nomes dos setores de agronegócio, indústria, química e construção civil.






