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Caso Master: delação de Vorcaro aponta comissões milionárias

Caso Master: Vorcaro teria dado comissão de R$ 188 milhões a intermediários

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em uma tentativa de colaboração premiada, que intermediários recebiam comissões de 10% sobre operações que direcionavam recursos de fundos previdenciários estaduais e municipais para letras financeiras do Banco Master.

Investigação dos fundos de previdência

Considerando os R$ 1,88 bilhão investidos por 21 regimes próprios de previdência entre 2023 e 2024, os pagamentos poderiam ter alcançado R$ 188 milhões, caso o porcentual relatado pelo ex-banqueiro se confirme.

Segundo Vorcaro, os intermediários incluíam agentes do mercado financeiro e políticos. Parte dos pagamentos teria sido feita em espécie. As informações constam de relatos atribuídos ao ex-controlador do Master no contexto das negociações para um acordo de delação premiada.

Os recursos envolvidos pertencem a regimes próprios de previdência social, entidades responsáveis por administrar as contribuições dos servidores públicos efetivos e dos governos destinadas ao pagamento de aposentadorias e pensões.

Riscos para as contas públicas

A aplicação desses recursos levanta preocupações sobre o impacto da crise do banco nas contas previdenciárias. As letras financeiras não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.

Com a liquidação do Master, os regimes que investiram nos títulos passaram a integrar a lista de credores da instituição, e a recuperação dos valores dependerá dos recursos disponíveis no processo de liquidação.

Citação de políticos

Entre os políticos citados nos relatos está Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD. Conforme reportagem publicada pela coluna de Thiago Herdy, do portal Metrópoles, Vorcaro o apontou como um dos possíveis beneficiários das comissões.

Os dirigentes do União Brasil ACM Neto e Antônio Rueda também teriam atuado em favor do Master junto a institutos de previdência, segundo reportagem do Uol. Os três políticos negam ter recebido pagamentos irregulares e contestam o relato atribuído ao ex-banqueiro.

Vorcaro teve três propostas de colaboração premiada rejeitadas pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República. Os órgãos consideraram que o ex-banqueiro havia omitido informações sobre fatos já identificados no curso das investigações.

Ele está preso preventivamente desde 4 de março, quando foi alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela PF. Vorcaro permanece na Papudinha, unidade localizada no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

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